E viveram felizes para sempre!

22-04-2017
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Será? E o que acontece depois?

Allan B Chinen, médico psiquiatra e analista junguiano americano dá continuidade a um resgate iniciado por Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço. Chinen diz que contos de fadas não são histórias para crianças. Há muito tempo eram contados para adultos. Expressam esperança, medos e sabedoria para adultos e não para crianças. Contos eram coisa séria e tinham o papel que os jornais e a televisão tem na sociedade atual. Somente há poucos séculos, na medida em que a literatura tornou-se mais comum e a tecnologia mais complexa é que os adultos deixaram os contos que passaram a ser bons apenas para pessoas sem instrução ou crianças, mas não mais para adultos bem educados.

Os contos tratam de pessoas simples, com os mesmos medos e anseios de qualquer homem ou mulher modernos. Os mais conhecidos são contos de jovens heróis. Mas, há também os contos da meia idade com protagonistas maduros. Tratam dos ideais da segunda metade da vida, onde ocorre primordialmente a individuação, ou aprimoramento da personalidade. As histórias oferecem uma visão de como a vida pode ser na maturidade e na velhice. Trazem uma nova visão da maturidade, voltada para sabedoria, autoconhecimento e transcendência.

Temos dois tipos de pensamentos. Um é científico, lógico e linear. É a linguagem do comércio, do trabalho e da solução de problemas. Outro é narrativo, está presente no drama, mito, literatura e contos de fadas. Enquanto fatos e ideias podem iluminar a mente, uma história toca a alma. O equilíbrio é importante para a saúde física, e o mesmo ocorre na saúde psíquica. É necessário estabelecer equilíbrio entre questões internas e externas, consciência e inconsciente, desejos e obrigações, bem-estar consigo mesmo e com o outro. Enquanto os contos tocam temas universais, os sonhos trazem questões pessoais que muitas vezes não são “traduzidos” e entendidos pelo sonhador, uma vez que perdemos a capacidade da leitura simbólica das imagens. Os contos ajudam a resgatar o entendimento desses símbolos, são um caminho para o inconsciente. Isto é particularmente importante na idade madura, pois questões de ordem prática previnem muitos da introspecção e de reflexões.

Segundo Marie Louise Von Franz, quando um indivíduo ouve um conto de fadas, tem a oportunidade de entrar em contato com aspectos de sua psique que precisam ser desenvolvidos. Através da utilização terapêutica dos contos de fadas, o homem pode até proteger-se de desvios patológicos decorrentes de uma vivência unilateral, desequilibrada. Hans Dieckman diz que o conto foi utilizado até para a educação e formação espiritual dos homens. Já foi usado como remédio na medicina hindu: há um método de cura para pessoas mentalmente desorientadas que consiste em oferecer um conto de fadas com sua problemática como objeto para a meditação. Os personagens assim como a ação do conto, são vividos não mais como acontecimento real do mundo exterior, mas como personificação de aspectos interiores da mente. O conto pode ser visto como uma expressão criadora no processo de desenvolvimento da alma, levando ao alargamento da consciência e à transformação do ser.

Para saber mais participe da palestra “Reflexões sobre o amadurecimento psicológico, conflitos, dificuldades e superações usando o simbolismo do conto de fadas” com a palestrante Maria Ieda Ikeda, graduada em administração e psicologia, especialização na Unicamp, filiada ao Instituto de Psicologia Analítica de Campinas, Associação Junguiana   do Brasil e International Association for Analytical Psychology.

Dia 25/04/17 ás 19:30hrs no Salão de Cursos da AICITA. Favor confirmar presença (11) 4524-2763 ou (11) 99423-7513 (Whats)