Nadismo – a arte de não fazer nada

25-09-2015
nadismo

NADA MELHOR DO QUE NÃO FAZER NADA…

 

Dia desses eu precisava colher sangue para os exames de rotina.

Aquelas coisas de sempre, 12 horas em jejum e vamos para o laboratório.

Pensei, adianto alguns afazeres em casa e vou um pouco mais tarde assim não “perco” tempo.

Cheguei em torno de 9 horas. A sala estava lotada, precisava pegar uma senha.

Ah! Pego a do idoso (eu posso, viu?).  Só então olhei melhor e vi um mar de cabelinhos brancos.

Sentar e esperar era minha sina.

Um tanto impaciente pensava “ deveria ter trazido aquele livro que estou tentando terminar, mas não acho tempo” ou “se pelo menos aqui tivesse uma revista” eu não perderia tempo…

Então, de repente vejo uma pilha de uma revista (+ saúde lazer edição 11) cortesia do laboratório e sabem qual era a matéria da capa?  NADISMO!!!!

Isso mesmo, está correto:  NADISMO.

Um pouco envergonhada pela minha impaciência e certa de que essa característica é mais comum do que pensava, tomo a liberdade de transcrever partes do artigo sobre a ARTE DE NÃO FAZER NADA.

O ócio é visto como perda de tempo, essa visão é antiga e remonta ao descobrimento. Documentos relatam que os portugueses se chocavam como fato de os índios não fazerem nada. Discussões à parte, a ideia vingou e se tornou o centro da obra O Ócio Criativo (ed. Sextante), do filósofo italiano Domenico de Masi, lançado com enorme sucesso em 1995.  Ele afirma que curtir momentos de puro ócio alivia o estresse, estimula a criatividade, nos torna mais produtivos no trabalho e aumenta o autoconhecimento, só para citar alguns benefícios.

No seu rastro surgiu o nadismo. “O movimento propõe uma importante transformação cultural: a consciência de que fazer nada não é perder tempo, mas uma forma muito valiosa de aproveitá-lo”, afirma o designer Marcelo Bohrer, idealizador do Clube do Nadismo, criado em 2006. “Assim, literalmente sem fazer nada, aprendemos a desacelerar e vivemos melhor.”

 

Então  o que era uma sensação passou a ser pesquisado cientificamente, tanto que um desses estudos gerou recentemente a publicação de um livro pelo neurocientista americano Andrew Smart, pesquisador da Universidade de Nova York. Em  Piloto Automático: A Arte e a Ciência de Não Fazer Nada, em tradução livre, o autor revela que o cérebro possui algumas regiões que estão mais ativas justamente quando estão em repouso. Essas áreas, batizadas de rede neural em modo padrão, nada mais são do que o piloto automático do cérebro. Trocando em miúdos, ao nos entregarmos ao ócio, o órgão está estabelecendo conexões que só são possíveis quando não estamos fazendo nada. Além disso, também está fixando informações e processando emoções que não seriam possíveis se, por exemplo, estivesse resolvendo uma questão matemática. Moral da história: deixar a mente vagar é um santo remédio para estimular a criatividade e garantir uma boa qualidade de vida. Só mais uma coisa: apesar de delicioso e implicar inatividade, dormir não pode ser classificado como um momento de nadismo. “Estudos mostram que o cérebro faz uma limpeza quando dormimos, mas a rede neural não é ativada nesses períodos de descanso”. “O cérebro tem diversos níveis de atenção, e é necessário estimular essas variações ficando sem fazer nada por algum tempo todos os dias.”  Bastam poucos minutos por dia.

 

 O importante é se desconectar da tarefa que está realizando, seja meditando, escutando música ou caminhando”. “Esses momentos de relaxamento já são capazes de reduzir o estresse, trazer disposição, manter o foco e, consequentemente, aumentar a produtividade.

 

No meio do expediente, segundo o artigo ,  vale a pena “perder tempo” fazendo pelo menos três respirações profundas. “Além de proporcionar uma calma imediata, esse exercício simples conduz a mente para o presente, deixando o cérebro mais ativo”. Então, da próxima vez que achar que é impossível apertar o pause, respire fundo e questione-se: correr tanto para quê?

 

 

Bem, de minha parte garanto que estou tentando praticar o NADISMO, e você quer experimentar?

Para começar acesse www.nadismo.com.br e vislumbre por 60 segundos a lenta travessia das nuvens pelo céu azul.