Perca a barriga dormindo

12-01-2017
barriga

A ideia de que a obesidade é uma simples equação entre a ingestão e o gasto de calorias já está obsoleta. Recentemente, outros fatores vêm sendo incluídos nesse cálculo.

Para comprovar essa linha de raciocínio muitos estudos e pesquisas foram feitos no Brasil e também fora daqui. Um desses estudos feitos por uma equipe do departamento de fisiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) concluiu que nosso corpo necessita de boas horas de repouso profundo – e, de preferência, no período noturno – para não inflar.

Quando o sol se põe, a ausência de luz é percebida por estruturas dos olhos que repassam essa informação adiante até ela chegar a glândula pineal, localizada no cérebro. Lá, a escuridão fomenta a produção de melatonina. É esse hormônio que nos deixa sonolentos – e ele vai ás alturas ao cerrarmos as pálpebras e dormirmos.

Enquanto dormimos, a glândula pineal, no cérebro, libera melatonina. Esse hormônio viaja até o adipócito, célula que é um reservatório de gordura, e se conecta a ele.

A melatonina incita a produção de moléculas de leptina. E elas percorrem o caminho inverso – vão do adipócito para o cérebro. Ali, dirigem-se ao hipotálamo, onde despertam a sensação de saciedade. Sem melatonina, portanto, a fome não desaparece.

A melatonina ajuda ainda a transformar um adipócito branco em um bege. E, enquanto o primeiro tipo praticamente só guarda gordura, o segundo a queima. Assim, o gasto energético do corpo, mesmo parado, sobe.

Para completar, na calada da noite, a melatonina incentiva o adipócito a liberar partículas de gordura para que sejam utilizadas pelo resto do corpo como energia. Já a falta de sono pode fazer a gordura permanecer intacta em seu reservatório.

Se dormimos pouco, a concentração da melatonina cai. Então, o tecido adiposo não recebe o empurrão que o faz esvaziar seus estoques e originar moléculas que aplacam o apetite. Aliás, como a presença do hormônio também depende de um ambiente escuro, pessoas que trocam o dia pela noite, mesmo se repousam por tempo suficiente, ficam mais predispostas ao ganho de peso.

Mas, nossa musculatura também precisa de sono. O bíceps e outros músculos aproveitam as horas em que estamos desligados do mundo para se regenerar. Se têm tempo para essa reciclagem celular, eles preservam seu vigor. E, quanto mais firmes, mais calorias queimam ao longo do dia. Por outro lado madrugadas em claro culminam numa atrofia muscular que reduzirá o gasto energético do organismo. Mais um fator que pesa contra a dieta.

Independentemente dos motivos pelos quais a falta de repouso resulta em um abdômen proeminente, o fato é que, quanto mais gordo alguém está, pior será seu descanso noturno. A obesidade leva à apneia, distúrbio que afeta a respiração e abala a qualidade do sono. Além disso, a anatomia de um corpo rechonchudo dificulta o adormecer. É um círculo vicioso: se você dorme mal, engorda. E, ao engordar, dorme pior.

Para escapar desse turbilhão, os especialistas pedem para que se maneire no uso de equipamentos eletrônicos a noite. “Eles emitem luz azul, a que mais reduz a produção de melatonina”. A carência desse hormônio tira a vontade de dormir e está atrelada ao ganho de peso.

Vale uma atenção especial a celulares que infelizmente estão indo junto para a cama com os donos. Fora atrasarem o momento em que caímos no sono, eles interferem na qualidade das horas dormidas. Um exemplo: se o smartphone acende no meio da madrugada por causa de uma mensagem, essa luz é capaz de atravessar as pálpebras e inibir aquele processo originado nos olhos de dispara a fabricação de melatonina na glândula pineal. Aí o sono fica superficial e cresce o risco de engordar. Se você não pretende tirar o aparelho do criado-mudo, ao menos vire a tela para baixo.

O tempo de sono varia de pessoa para pessoa. Mas estudos apontam que dormir menos de seis horas faz a barriga crescer. Ruídos (como os da televisão ou do celular) deixam o sono superficial e, assim, conspiram contra a cintura.